Saturday, February 03, 2007

Estado crítico #6

A INFÂNCIA É ESTADO CONTÍNUO



segundo tiro

o escritor matou-se com dois tiros na testa, dizem. fica a pergunta: como teve tempo para o segundo tiro?

Friday, February 02, 2007

...

quando o tremor veio, eu não tinha mais corpo para lhe dar.

oráculo

desde novo aprendi que
a vida não quer saber o rumo.
mas se queres saber o teu,
basta atirar uma navalha aberta ao ar
e preparar um pontapé
para que o oráculo te
revele que vida é a tua:
predestinação ou triste sina.

um homem ou um rato

para encontrar a saída, persegue o rato.

ponto de fuga

antes do casamento, ela arranjou um amante fixo, como quem quisesse cobrir a retirada.

Estado crítico #5

ATÉ O AMOR PRECISA DE PAREDES

amor

o amor deveria ser uma relação directa de duas partes interessadas, de forma desinteressada.

coragem

é mais difícil a coragem na solidão. tomemos este exemplo: uma criança com medo do escuro nunca entrará pelo seu próprio pé numa sala sem luz, mas duas crianças juntas com medo do escuro já serão capazes de arriscar entrar nessa sala, para descobrir o que está nas trevas.
como disse, é difícil a coragem na solidão. um homem sozinho cometendo actos destemidos - a isso se chama desespero.

religião

deus envia o homem, com o livre arbítrio, à terra sabendo que este vai escolher mal. a religião não se torna mais cruel do que isto.

circo

não se pode pedir ao animal selvagem que se sente na cadeira.

flor de poesia

é a vida mais do que isto
que vemos?
não creio.
«agarra-te à vida, joão, agarra-te ao que tens.
agarra-te à s., flor de poesia»,
ouço um eco no quarto dizer-me.

Thursday, January 25, 2007

stripes

double gift...





be like the squirrel, girl, be like the squirrel

Wednesday, January 24, 2007

Estado crítico #4

O MAR NÃO ESTÁ FECHADO

cruz

jesus cristo perdoou aos canalhas, mas ele não conseguia. da sua cruz deste século apenas se preparava para uma pregação de ódio. não era uma cruz pesada, mas dava-lhe a dor suficiente para odiar.

piedade

a piedade é uma forma de crueldade.

tudo dito

está tudo dito, gritara a rapariga, em pranto. e calava-se, calava-se, calava-se. não conseguia parar de se calar, perante o falatório incómodo do seu homem.

estranha forma de vida

ninguém gosta de ser cruel, disse ela, toda a gente gosta de ser piedosa. e depois calou-se, impiedosa. não falo mais, foi tudo o que repetiu, para todo o sempre.

obrigação

pusera-se, por obrigação, de pé, mas já não sentia qualquer chão debaixo dele.

construções literárias

o amor, a poesia e mil e uma formas diferentes de dar a volta ao mundo conhecido sem colocar o pé em terra.