Thursday, January 25, 2007

stripes

double gift...





be like the squirrel, girl, be like the squirrel

Wednesday, January 24, 2007

Estado crítico #4

O MAR NÃO ESTÁ FECHADO

cruz

jesus cristo perdoou aos canalhas, mas ele não conseguia. da sua cruz deste século apenas se preparava para uma pregação de ódio. não era uma cruz pesada, mas dava-lhe a dor suficiente para odiar.

piedade

a piedade é uma forma de crueldade.

tudo dito

está tudo dito, gritara a rapariga, em pranto. e calava-se, calava-se, calava-se. não conseguia parar de se calar, perante o falatório incómodo do seu homem.

estranha forma de vida

ninguém gosta de ser cruel, disse ela, toda a gente gosta de ser piedosa. e depois calou-se, impiedosa. não falo mais, foi tudo o que repetiu, para todo o sempre.

obrigação

pusera-se, por obrigação, de pé, mas já não sentia qualquer chão debaixo dele.

construções literárias

o amor, a poesia e mil e uma formas diferentes de dar a volta ao mundo conhecido sem colocar o pé em terra.

Sunday, December 24, 2006

grandes esperanças

certo homem, sentado a olhar para o vazio, dizia contemplar a vida.

Saturday, December 02, 2006

sexto

encontrei-te
e a ebulição confusa dos sentidos
foi encontrando um ponto de apoio
por onde se guiar

quinto

dorme
não te preocupes
desactivei a memória no início da rua
e faço hoje vigília à tua cabeceira
com cem quilómetros de braço

quarto

pediste-me que te pintasse a cara
e carpisse o amor ao ouvido
mas não me conseguia curvar tanto
eu tinha então um metro e noventa
e ainda não tinha encolhido o suficiente

terceiro

quanto a ti não sei
mas a mim custa-me
és muito branco
vejo a minha cara reflectida
no teu peito
e encerro-me por pudor
disse ela

segundo

tira o calcário das grades
da cama
do quarto
esfrega com as duas mãos
até sangrar
e está feita a redenção
chegaste ao fim da linha
podes recomeçar

primeiro

corre
faz das tripas coração
atira-te à água, joão
atira-te ao chão

Tuesday, November 28, 2006

uma decisão

tenho andado meio decidido
basta pedires
e não hesitarei
serei o teu
amante
o teu amigo
o teu voyeur preferido
um primo
um vizinho
um residente na tua casa
no teu quarto
um apaixonado
um náufrago por ti reencontrado
serei um homem
ou um miúdo
serei uma personagem literária
mesmo que me tomem
por imaginação tua
serei o que sempre quiseste
serei aquilo que nunca pediste
ou mesmo o que ninguém precisa
darei um passo de dança
com uma duas ou três pernas
fingirei gostar do sol
e que a lua me apaixona
esconderei as presas e as garras
serei manso como um cordeiro
serei isto e aquilo
e não a semente do cansaço
serei uma decisão do momento
valeria a pena
tentar
ou posso ser apenas esta
massa familiar
que agora vês
a teus pés.

Estado crítico #3



Pintar a beleza tem a sua quota parte de solidão.

rumo

viajando de lisboa para coimbra
encontrava ele o caminho de volta para sul

Thursday, November 23, 2006

Estado crítico #2


Van Gogh também não sabia o que fazer com as grandes ausências.